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diferença entre pandemia, epidemia, endemia e surto

Qual a diferença entre pandemia, epidemia, endemia e surto?

Depois de sermos pegos de surpresa pela pandemia de COVID-19, esses termos ganharam uma popularidade jamais imaginada. Hoje nós viemos explicar cada um desses conceitos para você. Confira!

Em dezembro de 2019 começamos a ouvir sobre uma doença causada por um novo vírus que iniciou como um surto na China, depois se tornou uma epidemia e em março de 2020 foi caracterizada pela OMS como pandemia

Algum tempo depois, ainda ficamos sabendo que o Coronavírus pode se tornar endêmico. Mas o que significam todos esses termos? Esse post vai explicar para você a diferença entre pandemia, epidemia, endemia e surto e ainda trazer exemplos para deixar tudo mais fácil. Também falaremos sobre doenças negligenciadas e que consequências essa omissão pode trazer. Siga a leitura e acabe logo com a dúvida!

O que é surto

Um surto é quando acontece um repentino e inesperado aumento de casos de uma doença em uma determinada região, comunidade ou estação do ano. O número de casos pode variar de acordo com o agente que causa a doença e também é avaliado o tamanho e tipo de exposição anterior quando se trata de uma doença conhecida. Mas para ser classificada como um surto, esse número sempre será acima da expectativa normal e em uma área geográfica limitada.

Geralmente os surtos são causados por infecções transmitidas de pessoa a pessoa, por animais ou ambientes ou até produtos químicos e materiais radioativos. Mas também ocorrem aqueles em que a causa não é clara ou conhecida – estes são chamados de surtos de doenças de etiologia desconhecida. É importante dizer que muitas vezes os comportamentos humanos contribuem para essa disseminação.

Exemplo: Em determinadas cidades do Brasil, a Dengue é reconhecida como um surto, uma vez que são detectados casos em apenas um ou alguns bairros. Um aumento de casos de uma determinada doença dentro de uma casa de repouso, por exemplo, também pode ser visto como um surto. A COVID-19 também começou como um surto na cidade de Wuhan, na China 

O que é epidemia

Uma epidemia é quando ocorrem surtos em várias regiões. Ou seja, quando há ocorrência excedente de casos de uma doença em determinados locais geográficos ou comunidades, e que vão se espalhando para outros lugares além daquele em que foram inicialmente identificados.

As epidemias podem ser em nível municipal, quando existem surtos em vários bairros. Em nível estadual, quando são registrados surtos em várias cidades e em nível nacional, quando ocorrem em várias regiões do país. 

Para definir quando uma doença pode ser classificada como uma epidemia é necessário avaliar o número de casos em relação à população em que há ocorrência – qual o tamanho dessa população? O quão suscetível à doença ela é? Outros critérios técnicos como detalhes da região em que os casos foram detectados e o período em que se iniciaram e estão ocorrendo são importantes tanto para a classificação quanto para a descrição da doença.

É importante também especificar que doenças sazonais, em que os casos crescem todo ano em uma determinada época ou estação, não são consideradas epidemias

Exemplo: vamos supor que o mesmo exemplo de Dengue usado acima comece a se agravar, passando de um único bairro para vários bairros de uma cidade. Essa cidade, então, terá uma epidemia de Dengue e precisará intensificar os cuidados para controlar a doença e impedir a transmissão para os bairros ainda não contaminados.

O que é endemia

A endemia é uma doença de causa e atuação local. Ela se manifesta com frequência em determinada região, mas tem um número de casos esperado – um padrão relativamente estável que prevalece. Se houver alta incidência e persistência de doença, pode ainda ser chamada de hiperendêmica.

As doenças endêmicas são consideradas um dos principais problemas de saúde do mundo e preocupam governantes, em especial os que lideram países tropicais de baixa renda. A malária, doença infecciosa causada por protozoário do gênero Plasmodium, é um exemplo de endemia presente em mais de 100 países, incluindo o Brasil.

Outra questão importante sobre as doenças endêmicas é que elas podem se tornar epidêmicas se não controladas. Isto depende de vários fatores que vão desde mudanças no agente ou hospedeiro até transformações no ambiente. 

O contrário também pode acontecer, como é o caso do novo Coronavírus. Recentemente a OMS declarou que a COVID-19 pode nunca desaparecer, tornando-se uma endemia e podendo impactar regiões específicas do planeta para sempre.

Exemplo: No Norte do Brasil, a Febre Amarela tem atuação frequente. Por isso, pode ser considerada uma doença endêmica.

O que é pandemia

Uma pandemia é a disseminação mundial de uma doença (epidemia). Ela pode surgir quando um agente  infeccioso se espalha ao redor do mundo e a maior parte das pessoas não são imunes a ele.

Em uma escala de gravidade, a pandemia é o pior dos cenários porque ela se estende a várias regiões do planeta. Mas quando uma doença é classificada como pandemia, não necessariamente significa que a situação é irreversível e nem que ela deva ser encarada pela população mundial como um “alerta de medo”. Também não quer dizer que o agente da doença, seja ele um vírus ou qualquer outro patógeno, tenha aumentado o seu poder de ameaça.

O que muda são as medidas adotadas pelas autoridades no combate à doença. No caso de uma pandemia, o protocolo de ação é outro e deve ser respeitado não só pelos países afetados mas também pelos que ainda não registraram casos do vírus. A abordagem em pandemias deve ser um conjunto de ações integradas, em que governo em parceria com a sociedade trabalham juntos na contenção da doença. 

Exemplo: A Gripe Suína (ou Gripe A) passou de epidemia para pandemia no ano de 2009, quando a OMS passou a registrar casos da doença em todos os continentes do planeta.

Por que o Coronavírus é considerado uma pandemia?

No dia 11 de março de 2020, Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, fez um pronunciamento informando que a COVID-19 foi caracterizada como uma pandemia

A doença foi assim classificada porque, na época, já existiam mais de 118 mil casos espalhados por 114 países – ou seja, houve rápida disseminação geográfica do vírus em curta escala de tempo

Outro motivo que também contribuiu para que a COVID-19 fosse categorizada como pandemia pela OMS foi a falta de ação de governantes com relação à doença. Em muitos países, ainda não haviam sido adotadas as medidas necessárias, mesmo com a transmissão em ritmo intenso e aumento repentino de infectados.

Com o status de pandemia, o protocolo muda, as ações tornam mais rigorosas e todos passam a olhar para as medidas necessárias no combate à doença.

Entretanto, mesmo com essas mudanças, o órgão de saúde mundial esclareceu que a decisão não era motivo de susto: “pandemia não é uma palavra para ser usada à toa ou sem cuidado. É uma palavra que, se usada incorretamente, pode causar um medo irracional ou uma noção injustificada de que a luta terminou, o que leva a sofrimento e mortes desnecessários”, disse Ghebreyesus. O diretor-geral ainda acrescentou que todos os países em união podem mudar o curso da doença. 

Exemplo: a Peste Bubônica – ou Peste Negra – é considerada uma pandemia arrasadora que aconteceu no século XIV e matou de 75 a 200 milhões de pessoas.

Formas para conter uma pandemia

Existem três principais meios de se conter uma pandemia. Cada um deles representa um conjunto de ações mais ou menos rígidas e a escolha da forma certa vai depender do estágio em que a pandemia está. São elas:

  • Contenção: essa forma funciona apenas se for adotada logo no começo da pandemia. Nela a população é testada e os infectados são afastados. Essa medida precisa ser extremamente rápida e assertiva, caso contrário o vírus pode continuar se espalhando sem que se tenha conhecimento.
  • Mitigação: essa forma é adotada quando já se sabe que não há mais possibilidade de conter a doença, ou seja, quando ela já se espalhou e não se pode mais identificar o seu alcance com tanta facilidade. Aí começam as medidas de redução de contágio e controle do avanço do patógeno. Nesse estágio, recomenda-se o distanciamento social e algumas medidas leves são aplicadas, como o cancelamento das aulas e eventos e fechamento de comércio no geral.
  • Supressão: essa é a forma mais rigorosa de combate a uma pandemia. Isto porque ela busca interromper totalmente a disseminação do agente transmissor da doença. Quando a supressão é adotada, acontece o lockdown, que passa a ser obrigatório para toda a população.

Doenças negligenciadas

Muitas doenças no mundo não recebem a atenção que deveriam e comumente são ignoradas pelas autoridades e até pela sociedade. Essas são chamadas de doenças negligenciadas.

Doenças como essas, principalmente as doenças infecciosas, têm impacto devastador em países mais pobres e podem prejudicar não só suas economias como também seus sistemas de saúde. Muitas vezes a luta contra elas recebe barreiras políticas, legais, econômicas e até sociais, que prejudicam esse combate e até invalidam esforços já em andamento.

Questões biológicas também são barreiras a serem consideradas, como é o caso da resistência a medicamentos e das mudanças climáticas que o planeta Terra tem sofrido.

Esses motivos são a causa de doenças como HIV, malária, hepatites virais e outras doenças prevalentes em regiões tropicais ainda matarem mais de 4 milhões de pessoas por ano.

A OMS tem levantado discussões sobre o combate a doenças epidêmicas e tem trabalhado para ajudar os países a alcançarem uma cobertura de saúde mais efetiva. Explicamos esse assunto melhor no tópico a seguir.

OMS tem estratégias globais para acabar com epidemias até 2030

Em setembro de 2015, foram acordados nas Nações Unidas os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) – aliança de países de todo o mundo que visa acelerar o progresso no combate às doenças infecciosas até 2030.

O evento trouxe resultados positivos alcançados de 2000 e 2015 devido às ações adotadas no início do século XXI: 

  • mais de 17 milhões de pessoas puderam ter tratamento anti-retroviral
  • redução da mortalidade por malária em 60%
  • redução de infecções por vermes da Guiné de mais de 75 mil para 22 casos.

Esses resultados foram possíveis por meio de ações de intervenção em cinco pilares da saúde pública mundial:

  • gestão intensificada de doenças
  • quimioterapia preventiva
  • ecologia e gerenciamento e controle de vetores
  • serviços de saúde pública veterinária
  • fornecimento de água potável e saneamento básico

Mas ainda é preciso fazer muito mais para que o objetivo de redução nas doenças infecciosas se cumpra até 2030, diz o Dr Ren Minghui, Diretor Geral Assist. da OMS para HIV / AIDS, Tuberculose, Malária e Doenças Tropicais Negligenciadas. 

As ações recomendadas para que as metas de redução sejam alcançadas estão todas no relatório de doenças tropicais negligenciadas. Elas defendem que a integração de atividades e intervenções no sistema de saúde mais amplos podem acelerar bastante o progresso em direção ao combate a essas doenças e também no aperfeiçoamento da cobertura de saúde pública universal. 

Esse texto esclareceu qual a diferença entre pandemia, epidemia, endemia e surto, explicou porque a COVID-19 foi classificada como uma pandemia e trouxe informações sobre a agenda global da OMS no combate às principais epidemias e doenças endêmicas do mundo.

E aí, ficou tudo mais claro? Se tiver dúvidas, deixe nos comentários que a respondemos pra você.

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Centro de Controle de Doenças e Prevenção. Introdução à Epidemiologia. Disponível em: <https://www.cdc.gov/csels/dsepd/ss1978/lesson1/section11.html> Acesso em: 29/06/2020.

Organização Mundial da Saúde. Doenças infecciosas endêmicas: os próximos 15 anos. Disponível em: <http://origin.who.int/mediacentre/commentaries/2016/Endemic-infectious-diseases-next-15-years/en/> Acesso em: 29/06/2020.

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Organização Mundial da Saúde. Integrando doenças tropicais negligenciadas na saúde e desenvolvimento globais. Disponível em: <https://www.who.int/neglected_diseases/resources/9789241565448/en/> Acesso em: 29/06/2020.

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Organização Mundial da Saúde. Quarto relatório de doenças tropicais negligenciadas. Disponível em: <https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/255011/9789241565448-eng.pdf;jsessionid=E543C79850C9F90490F16DA846FB7C42?sequence=1> Acesso em: 29/06/2020.

Organização Mundial da Saúde. Surtos de doenças. Disponível em: <https://www.who.int/emergencies/diseases/en/> Acesso em: 29/06/2020.

Organização Pan-Americana da Saúde. Módulo de Princípios de Epidemiologia para o Controle de Enfermidades (MOPECE). Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/modulo_principios_epidemiologia_5.pdf> Acesso em: 29/06/2020.

Organização Pan-Americana da Saúde. OMS afirma que COVID-19 é agora caracterizada como pandemia. Disponível em: <https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=6120:oms-afirma-que-covid-19-e-agora-caracterizada-como-pandemia&Itemid=812> Acesso em: 29/06/2020.

Socientífica. Qual a diferença entre pandemia e epidemia?. Disponível em: <https://socientifica.com.br/qual-a-diferenca-entre-pandemia-e-epidemia/> Acesso em: 29/06/2020.

Telessaúde São Paulo. Qual é a diferença entre surto, epidemia, pandemia e endemia ?. Disponível em: <https://www.telessaude.unifesp.br/index.php/dno/redes-sociais/159-qual-e-a-diferenca-entre-surto-epidemia-pandemia-e-endemia> Acesso em: 29/06/2020.

UNA-SUS. Organização Mundial de Saúde declara pandemia do novo Coronavírus. Disponível em: <https://www.unasus.gov.br/noticia/organizacao-mundial-de-saude-declara-pandemia-de-coronavirus> Acesso em: 29/06/2020.

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